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Aprender para aprender.

"the poffer"

Trechos alternados de alguns dos meus textos acadêmicos:

Aprender para aprender. 

Pedro Demo ressalta que partindo da economia intensiva do conhecimento e observando seus efeitos mais preocupantes, como queda do emprego, recrudescimento do desemprego estrutural, globalização competitiva marginalizante, o papel  do conhecimento apresenta , com muita força a dubiedade de sua face: devemos a ele progressos fundamentais para o ser humano (...), mas vivemos em um mundo que ainda investe na ignorância das maiorias, como tática de manutenção do status quo. Isso nos alerta para a possível debilitação da capacidade de criação que se evidencia, sobretudo nas propostas curriculares, onde se alicerçam as noções de avaliação de desempenho, fracasso escolar, favorecendo a disseminação de verdades deterministas, incluídas aí as que perpetuam o aparato ideológico do Estado, muitas vezes propagando práticas segregacionistas e excludentes.
Na “Microfísica do poder”, falando sobre os discursos e o exercício da produção da verdade, Foucault nos diz que “a verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro”. 
Para Bakhtin, filósofo da linguagem,  “a verdade não nasce nem se encontra na cabeça de um único homem, ela nasce entre os homens que juntos procuram o processo de comunicação dialógica”. (1981, p.94) A consciência dos sujeitos, segundo Bakhtin,  forma-se no universo dos discursos, em função das interlocuções que vão participando, num amplo universo de referências. Os discursos não são somente nosso instrumento de comunicação, mas também de constituição e subjetividade. Somos sujeitos interpretativos. “Na verdade não são  palavras o que pronunciamos ou escutamos, mas verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais, agradáveis ou desagradáveis etc. A palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial. É assim que compreendemos as palavras e somente reagimos àquelas que despertam em nós ressonâncias ideológicas ou concernentes à vida.” (Bakhtin\Volochinov ,1986, 95)
                  Numa sala de aula  com 30, 40 ou 50 alunos, reencontramos as vozes e as almas que conduzem Viva o Povo Brasileiro: Almas brasileirinhas, tão pequetitinhas (...) Alminhas que tinham aprendido tão pouco e queriam mais, como é da natureza das alminhas,(...)  (p.673) 
            Entrelaçando as histórias (as alminhas) dos nossos alunos com as nossas histórias, voltamos a reviver o tempo ido, águas vivas  da memória subjetiva e coletiva, memória polifônica, construída em palavras. “A palavra é o modo mais puro e sensível de relação social.” (Bakhtin, 86, p.37)  É  a vida em pequenos quadradinhos compondo “a colcha de retalhos”  da qual nos fala Machado de Assis. E é no passado que muitas vezes buscamos encontrar nosso presente, nossa prática pedagógica. “O mesmo ocorre com a imagem do passado, que a história transforma em coisa sua. O passado traz consigo um índice misterioso, que o impele à redenção. Pois não somos tocados por um sopro do ar que foi respirado antes? Não existem, nas vozes que escutamos, ecos de vozes que emudeceram? (...) Se assim é, existe um encontro secreto, marcado entre as gerações precedentes e a nossa.. Alguém na terra está à nossa espera.” (Benjamin, 1994, 223).


Patricia de Cassia Pereira Porto          

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