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"Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza..."

                
            Dizer "não" é também dizer sim. Crianças precisam aprender desde cedo o difícil equilíbrio entre limites e liberdades. As tais palavrinhas mágicas que a professora coloca na louça devem ser aprendidas primeiro em casa. "Obrigada, por favor, com licença..." Sou mãe e educadora e sei como é dureza dizer "não" e sei também como é perigoso dizer somente o "sim". Isso se chama omissão. No meu trabalho conheci muitos pais muito bem intencionados que me diziam assim: "ah, professora, ele é criança...", "ela é criança..." Como se fosse: "ah, deixe ele quebrar, rasgar, sujar, estragar, bater, xingar... não importa..." Também conheci pais de adolescentes que me diziam assim: "eu não sei o que fazer com ele, com ela, ele não tem limites, ela não tem limites..." Bem, tudo isso pode parecer careta. Mas pais antes de serem amigos, amigas de seus filhos precisam ser pais de seus filhos. E certa caretice faz parte do jogo. Deixar fazer tudo, não ensinar as regras (a tal falada moral), não ser também exemplo... é cair nas teias da permissividade sem rede de sustentação. Ser um pai maneiro, uma mãe descolada até pode "parecer" bom à primeira vista. Mas é "bom" também lembrar que seu filho, filha vai viver no mundo e o mundo é de todos, no mundo há diferenças, diversidade, pluralidade de ideias. Pequenos napoleões podem ser tornar adultos controladores e autoritários que não aceitam "não" como resposta. Crianças são seres extremamente criativos e espontâneos. Mas são imitadores também, e assim o fazem como artistas através de seu longo caminho de aprendizagens, e assim também vão crescendo imitando valores, atitudes de seus pais. É claro que filho não vem com manual e que nós, pais, professores, somos pessoas com falhas, pessoas também de longa aprendizagem. Não vai dar pra ser perfeito, perfeita. Há muitos erros e adversidades pelo trajeto dessa relação tão delicada entre pais e filhos. Mas refletir, dialogar, observar e reinventar-se é tarefa cotidiana de todo ser humano que vive em sociedade. Samuel Beckett tem uma ótima sugestão pra encerrar esse papo: “Ever tried? Ever failed? No matter, try again, fail again, fail better.”

Patrícia Porto.

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